Cresce o número de Conflitos no Campo

Fonte: CPT no site: http://terradedireitos.org.br/biblioteca/noticias/cresce-o-numero-de-conflitos-no-campo-3/

chapeu_MSTOs dados que a CPT está divulgando dão conta de um crescimento de 15% no número total de conflitos no campo, em 2011, em relação a 2010. Passaram de 1.186, conflitos, para 1.363. As pessoas envolvidas, 559.401, em 2010, 600.925 em 2011, mais 7,4%. Estes conflitos compreendem 1.035 conflitos por terra, 260 conflitos trabalhistas e 68 conflitos pela água.

Os conflitos por terra é que apresentaram um crescimento mais expressivo. Passaram de 835, em 2010, para 1.035 em 2011, um crescimento de 24%. O número de famílias envolvidas cresceu 30,3%, passou de 70.387, para 91.735.

Este crescimento se deu em 17 das 27 unidades da federação. Foi mais expressivo na região Nordeste, 34,1%, que de 369 conflitos envolvendo 31.952 famílias, em 2010, passou para 495 conflitos envolvendo 43.794 famílias. O aumento mais significativo foi no Piauí, 130,8%, que passou de 13 conflitos em 2010 para 30 em 2011, e o número de famílias passou de 611 para 1.398, mais 128,8%.

As regiões Norte e Centro-Oeste também apresentaram crescimento tanto no número de conflitos, quanto no de famílias envolvidas. Norte: 258 conflitos, envolvendo 20.746 famílias em 2010; 307 conflitos e 27.111 famílias envolvidas em 2011, mais 19% no número de ocorrências, e 30,7% no de famílias envolvidas. O Centro-Oeste apresentou crescimento de 22% no número de conflitos e de 21,7%, no número de famílias envolvidas: 59 conflitos com 6.393 famílias em 2010; 72 conflitos com 7.778 famílias em 2011.

Já as regiões Sudeste e Sul apresentaram declínio no número conflitos, de 126 para 123 na Sudeste, menos 2,4% e de 41 para 37, menos 9,8% na Sul. No Sudeste o número de famílias envolvidas diminuiu de 9.945, em 2010, para 9.042 em 2011. Já no Sul, apesar do menor número de ocorrências de conflito, o número de famílias subiu exponencialmente: 196,8%, passando de 1.351 para 4.010.

O que se convencionou chamar de conflitos por terra, inclui os conflitos por terra, as ocupações e os acampamentos. Os assim denominados “conflitos por terra” se referem a expulsões, despejos, destruição de bens, ameaças de pistoleiros etc. Estes conflitos, em 2010, somaram 638, já em 2011 apresentaram crescimento de 26,2%, chegando a 805. O número de famílias envolvidas aumento 31,6%, passou de 49.950 famílias, para 65.742. No cômputo geral dos Conflitos por Terra, incluem-se as ocupações de terra e os acampamentos às margens das rodovias, ou nas proximidades de áreas que se reivindicam para desapropriação. As ocupações por famílias sem terra ou a retomada de áreas por comunidades indígenas ou quilombolas, apresentaram um crescimento de 11,1%. Passaram de 180, em 2010, para 200, em 2011. Já o número de famílias envolvidas apresentou crescimento de 35,1%, passaram de 16.858 famílias envolvidas, para 22.783. Os acampamentos sofreram uma redução de 35 para 30, menos 14,3%, com o número de famílias passando de 3.579 para 3.210, menos 10,3%.

Chama a atenção nos conflitos por terra o aumento do número de famílias expulsas. Um crescimento de 75,7%. Passaram de 1.216, em 2010, para 2.137, em 2011. Também teve crescimento significativo o número de famílias ameaçadas por pistoleiros, que passaram de 10.274 para 15.456, mais 50,4%. É o poder privado – fazendeiros, empresários, madeireiros e outros – voltando à liderança das ações. Este poder privado é responsável por 50,2% das ocorrências de conflitos por terra, 689 das 1.035.

Por outro lado, a ação do poder público, representada pelo número de famílias despejadas, decresceu 12,8%, foram 8.064 famílias, em 2010, 7.033 em 2011. Na análise do professor Carlos Walter Porto Gonçalves, a ação do poder público é mais expressiva quando a liderança das ações é dos movimentos sociais. Daí se infere que o poder público está pronto para agir quando os protagonistas da ação são os sem-terra, indígenas, quilombolas ou outros trabalhadores; já quando os protagonistas da ação são os senhores “proprietários” de terras e outros empresários, esta é vista como dentro da normalidade. Diz o professor: “Os dados parecem comprovar cientificamente o caráter de classe da justiça no Brasil, haja vista que a ação do poder público se move de acordo com a ação dos movimentos sociais em luta pela terra, mas se mostra indiferente com relação ao poder privado, na medida em que, como se observa, a intervenção do poder público aumenta ou diminui acompanhando o aumento ou queda da ação dos movimentos sociais”.

Sem Terra fazem vigília em frente ao Incra de Florianópolis por Reforma Agrária

Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST

Os 400 militantes do MST, que se encontram desde o dia 16 realizando diversos atos em Florianópolis como parte da Jornada de Lutas, estão em vigília hoje (19) em frente ao prédio do Incra, no centro da capital. Ocorrem falas dos integrantes do movimento, gritos de ordem e uma seleção de músicas tocadas ao vivo pela equipe de animação da Jornada. A vigília irá durar até as 19 horas de hoje.
Também foi solicitada uma audiência com Banco do Brasil e outra com o MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) para tratar especificamente das dívidas dos assentados da reforma agrária na região. A militância está forte e animada para permanecer na capital até que se consiga as respostas necessárias para o avanço da pauta da reforma agrária.

No dia 17 de abril, os militantes que, estavam ocupando o Incra, se reuniram com o superintendente João Paulo Sttrapazzon, no qual discutiram as principais reivindicações do MST em Santa Catarina, como a liberação de sete áreas que devem ser usadas para assentar famílias pelo menos 200 famílias ainda este ano, a melhoria de infraestrutura para os novos assentamentos e a reestruturação do Incra. O movimento conseguiu agendar uma reunião para o dia 15 de maio com o Governador do estado, onde essas pautas serão discutidas de forma mais detalhada.

Após a reunião, o MST se juntou a dez mil trabalhadores urbanos na terceira Marcha dos Catarinenses, que além de reivindicar reforma agrária, pediu melhores condições de trabalho na saúde, educação e o fim da terceirização do trabalho.

Veja a lista dos 19 Sem Terra que foram assassinados na hora em Eldorado dos Carajás

Da Página do MST

No dia 17 de abril de 1996, esses 19 Sem Terra (que morreram no local) foram barbaramente assassinados por uma operação da Polícia Militar, no município de Eldorado dos Carajás, no Pará. O Massacre de Eldorado dos Carajás, que ficou conhecido internacionalmente, continua impune, sem que nenhuma pessoa fosse presa mesmo já tendo passado 16 anos.

O governador da época, o Sr. Almir Gabriel (PSDB-PA), determinou a repressão que contou com um contigente de 154 policiais da PM do Pará, comandados pelo Coronel Pantoja e o Major Oliveira. Consta dos autos do processo, segundo o advogado dos policiais, de que as despesas de traslado da tropa foi paga pela empresa Vale.

Em 2002, durante júri popular, os comandantes Cel. Pantoja e Major Oliveira foram condenados a mais de 200 anos de prisão. Recorrerram e aguardam até hoje em liberdade.

Abaixo, veja os nomes e as circunstâncias dos assassinatos:

1. ALTAMIRO RICARDO DA SILVA, 42 anos, casado, agricultor, filho de Juventino da Silva e Filomena Maria da Silva. O laudo cadavérico comprovou que sua execução ocorreu após ter caído ao solo em virtude dos disparos recebidos nas pernas.

2. ANTONIO COSTA DIAS, 27 anos, casado, filho de Conceição Alves de Souza (não consta o nome do pai). Morreu com dois tiros no peito.

3. RAIMUNDO LOPES PEREIRA, 20 anos, solteiro, (não consta a filiação). Morreu com três tiros, dois na cabeça e um no peito. Havia marcas de tentativa de defesa.

4. LEONARDO BATISTA DE ALMEIDA, 46 anos, casado, filho de Raimundo de Souza e Luiza Batista. Morreu devido a agressão no rosto de algum instrumento pérfuro-cortante (faca, punhal, etc).

5. GRACIANO OLIMPIO DE SOUZA (BADÉ), 46 anos, casado, (não consta a filiação). O laudo cadavérico descreve a morte como decorrente de tiro na cabeça. Foram encontradas ainda lesões típicas de defesa, caracterizando execução sumária.

6. JOSÉ RIBAMAR ALVES DE SOUZA, 22 anos, filho de Miguel Arcanjo de Souza e Luzia Alves de Souza. Descreve o laudo cadavérico que foi alvejado com dois projéteis de arma de fogo, um dos quais, à “queima-roupa”, pois o tiro se apresentava como sendo de perto, perfazendo uma trajetória de cima para baixo. O outro na região lateral direita do abdome.

7. OZIEL ALVES PEREIRA, 17 anos, solteiro, filho de Alderino Alves Pereira e Luiza Alves Pereira. Consta dos autos o depoimento de nove testemunhas que afirmam terem presenciado a detenção de Oziel. A vítima foi presa, algemada e espancada pelos policiais militares Pargas, Pinho e Vanderlan, na companhia de outros dois PMs. Conduziram-no arrastado pelos cabelos até um ônibus da empresa Transbrasiliana. A vítima foi algemada com as mãos para trás, impossibilitando qualquer meio de defesa. O laudo cadavérico descreve quatro tiros, três na cabeça e um no peito.

8. MANOEL GOMES DE SOUZA, 49 anos, casado, (não consta a filiação). A vítima recebeu, segundo laudo, três disparos de arma de fogo, todos na cabeça, caracterizando a vontade deliberada de execução.

9. LOURIVAL DA COSTA SANTANA, 26 anos, casado, filho de José Ferreira Santana e Francisca Xavier da Silva. Recebeu um disparo de arma de fogo no peito, perfurando o coração.

10. ANTONIO ALVES DA CRUZ, 59 anos, casado, filho de Cristina Alves de Souza (não consta o nome do pai). Segundo o laudo cadavérico, a vítima recebeu dois disparos de arma de fogo no peito.

11. ABÍLIO ALVES RABELO, 57 anos, casado, filho de João Rabelo e Rosália Rabelo. Morreu com seis tiros, em diversas regiões do corpo.

12. JOÃO CARNEIRO DA SILVA, fotógrafo, morava em Parauapebas (não constam outros dados). O laudo cadavérico descreve como causa da morte o esmagamento do crânio e também dos ossos do braço.

13. ANTONIO, CONHECIDO COMO “IRMÃO”, (não constam outros dados). Morreu com três tiros pelas costas, sendo um no pescoço.

14. JOSÉ ALVES DA SILVA, 65 anos, viúvo, filho de Carlito Alves da Silva e Januária da Silva. O laudo cadavérico informa que a causa da morte é hemorragia na região do toráx. O projétil fez um trajeto da esquerda para a direita, de diante para trás e de cima para baixo. Caso típico de execução sumária.

15. ROBSON VITOR SOBRINHO, 25 anos, casado, filho de Maria Antonia Vitor Sobrinho (pai não declarado). O laudo descreve que a vítima foi alvejada por quatro tiros, dentre eles, dois foram disparos à “queima-roupa” pelas costas. As “zonas de tatuagem” encontradas nas costas do vitimado atestam e confirmam a execução.

16. AMÂNCIO DOS SANTOS SILVA, 42 anos, solteiro, filho de João Rodrigues e Laurinda Rodrigues da Silva. O laudo cadavérico descreve como causa da morte hemorragia intracraniana.

17. VALDEMIR FERREIRA DA SILVA, conhecido como “Bem-Te-Vi”, (não constam outros dados);

18. JOAQUIM PEREIRA VERAS, 32 anos, solteiro, filho de Raimundo Souza Sobrinho e Adelaide Maria Conceição. O laudo cadavérico relata duas feridas características de orifícios de entrada de projéteis de arma de fogo.

19. JOÃO RODRIGUES ARAÚJO, (não consta a idade), casado, (não consta a filiação). Morreu de hemorragia, em consequência de ter recebido dois tiros nas regiões dos braços e várias apunhaladas de arma branca (punhal, faca, etc), nas regiões das pernas.

JORNADA NACIONAL DE LUTAS PELA REFORMA AGRÁRIA

 

As famílias que fazem parte do MST, o Movimento Sem Terra, estão mobilizadas em
todo o país durante o mês de abril, na Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária.
Mais de 4 milhões de famílias de trabalhadores rurais querem terra para viver e
produzir. Atualmente, 186 mil famílias estão acampadas, vivendo em condições
precárias, em barracas de lona, na luta pela Reforma Agrária.

Clique aqui (panfleto JORNADA 2012) para ver o panfleto da jornada 2012.

Vida Laboriada

Documentário feito em Lages sobre as dificuldades dos trabalhadores rurais e o consequente exôdo rural.

Reintegração de posse em Tocantins desabrigará mais de 1000 famílias

Por Vanessa Ramos
Da página do MST

O Governo de Tocantins pretende despejar mais de 1000 famílias do acampamento Sebastião Bezerra, localizado na Fazenda Dom Augusto, município de Porto Nacional, próximo à cidade de Palmas, capital do Rstado. Entre os futuros desabrigados estão 300 crianças.

O pedido de reintegração de posse foi entregue às famílias no dia 4 de abril e determina que a área seja desocupada em 15 dias. Além disso, grande parte das famílias não tem para onde ir. As crianças já estudam em escolas próximas ao acampamento e, caso elas sejam despejadas, também ficarão sem uma instituição para estudar.

Segundo Antônio Marcos, da Direção Nacional do MST em Tocantins, os camponeses estão assustados com a determinação da Justiça e temem pela própria segurança. “O meu medo é que a violência praticada em Pinheirinho (região de São José dos Campos, SP) se repita aqui”, desabafou. As famílias aguardam recurso judicial que pode derrubar a liminar conseguida pelo Estado.

A Fazenda Dom Augusto pertence a um grupo de ruralistas conhecido como “Rabisquini” que, atualmente, moram em Santa Catarina. As terras da fazenda estavam alugadas para o monocultivo de soja e criação de boi de corte (bois para comercialização de carnes) quando as famílias, em abril de 2011, ocuparam a área. A fazenda também tem histórico de trabalho escravo, grilagem e crimes ambientais.

Indio ameaçado com a família em Mato Grosso

Tonico Benites é uma importante liderança Guarani Kaiowá. Entre diversos papéis que desenvolve, integra o Colegiado Setorial das Culturas Indígenas do Ministério da Cultura, onde eu o conheci. É antrópologo, foi estudar antropologia para entender as cabeças dos brancos e poder defender melhor os direitos indígenas. No dia 06 de Abril ele e sua família viveram uma experiência digna dos piores filmes de terror. Ele relata os fatos de forma detalhada na carta abaixo. Situação absurda que mostra que os fazendeiros estão dispostos a tudo para esmagar o movimento indígena. Agora usam capangas contratados no Paraguai. Aliás, os fazendeiros brasileiros estão lá, ocupam grandes áreas deste país, na divisa com o Brasil. Os camponeses e indígenas paraguaios também sofrem a pressão dos fazendeiros brasileiros.
Dá para aceitar isto? Divulgando os fatos estaremos nos contrapondo, no esforço para sensibilizar as autoridades brasileiras. Não dá para aceitar a continuação do genocídio.

CARTA DE UM ANTROPÓLOGO KAIOWÁ SOBRE INTIMIDAÇÃO SOFRIDA EM FRENTE A UMA ALDEIA INDÍGENA NO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, BRASIL

Prezados (as) autoridades federais,

Eu, Tonico Benites, vim por meio desta mensagem comunicar a todas autoridades federais que hoje de manhã, sexta-feira [06/04/2012], às 10h20, na estrada pública, em frente da aldeia Pirajuí-Paranhos-MS, um homem não índio, com dois revólveres na mão cercou a estrada e me mandou parar o carro, pedindo para eu descer dele.

Diante disso, eu falei para minha esposa, que estava junto comigo, além da crianças: “É hoje que pistoleiro vai me matar; eu vou descer”. “Você desce e pega a chave do carro e as crianças, e vai correndo avisar as lideranças da aldeia Pirajui”.

Ela começou a chorar com as crianças. Abri a porta e desci. O homem começou me pedir documento pessoal e do carro; passou a me interrogar. Entreguei a ele os documentos, ele olhou meu documento e falou: “Hã! vc é o Tonico Benites né!?, o que veio fazer por aqui!, conta? Hoje vamos conversar seriamente!”

Respondi: “Sim, eu mesmo. Vim visitar a família da esposa e parentadas aqui na aldeia Pirajui e Potrero Guasu”. Ele falou: “É só isso??” respondi que sim. Comecei entrar em estado de raiva, medo e desespero, e perguntei o que pretendia fazer comigo e a mando de quem? Ele riu e disse: “Você é inteligente, né? Que bom!?”.

Enquanto isso, a minha esposa gestante de 7 meses, e as crianças irmãzinhas dela começaram a chorar dentro do carro. O homem, ao ouvir o choro, falou-me naturalmente: “Você tem filhos e esposa, né? Gosta dela e de teus filhos? hein?! fala?” Respondi que sim.

Então ele passou me ameaçar: “Você vai perder tudo, ela que você ama e filhos que gosta, vai perder, Vai perder carro. Vai perder dinheiro. Tudo você vai perder. Você quer perder tudo? Você quer perder tudo?”, ele repetiu várias vezes essas pergunta. Respondi: “Não! Não! Não!”

Já tinham passado mais de 20 minutos e a chuva estava chegando. “Você tem dinheiro?” Passou a me pedir a carteira do bolso. Entreguei a ele. “Hã! você tem sim! E vai começar perder.” E pegou tudo o que eu tinha na carteira. Pediu-me várias vezes para não voltar mais àquela aldeia e região. “Se você promete que nunca mais vai volta por aqui vou soltar você vivo. Respondi: “Sim, sim!”.

Ele falou: “Não estou não sozinho não; somos muitos. Aqui estamos só quatro. Tá vendo?”, indicando o matinho. “Você não está fazendo o trabalho que presta, sabia não?”, referindo-se à ocupação da terra e pesquisa antropológica. Ele sabe tudo sobre mim e meu trabalho. Fala bem língua guarani.

Depois se apresentou dizendo que ele é polícia do Paraguai. A vestimenta dele é similar a traje da polícia da Força Nacional. Pediu para eu não contar para autoridade, não! Só assim me soltaria vivo e nem levaria o carro, e nem machucaria minha esposa e crianças. Prometi que não contaria para ninguém.

Mais ou menos por 40 minutos, ele me falou: “Vai embora daqui! Nunca mais quero ver você por aqui.” Respondi que sim!, se me soltasse, eu não voltaria àquela aldeia. Por último, disse: “Vou ficar de olho em você, hein?!

Assim me liberou. Não me machucou fisicamente, mas verbalmente sim; psicologicamente saí traumatizado, tremendo, muito medo. Às 10h45 fui direto à casa da liderança indígena da aldeia Pirajuí. Contei-lhe e ele ligou para a delegacia de Polícia Civil, em Paranhos, mas ninguém atendeu. Achamos que, por conta do feriados.

Imeditamente, as comunidades de Pirajuí se juntaram, querendo saber do acontecimento. Contei a todos o fato ocorrido. O Otoniel já se encontrava no interior da aldeia Pirajuí, e Eliseu já estava em Ypo’i. Minha esposa ficou muito mal, pediu para retornar a Dourados. Por isso, pedi às lideranças para me escoltar até a cidade de Paranhos. Eles me escoltaram com várias motos, deixando-me na cidade em Paranhos-MS. Retornei a Dourados, chegando lá às 20h30, e passei a escrever o fato ocorrido comigo hoje.

A liderança da aldeia Pirajuí me pediu para retornar segunda-feira para registrar queixa na Polícia Civil. Mas sozinho não quero voltar para lá, não. Preciso fazer algo mais diante disso. O Otoniel e o Eliseu se encontram na região de Paranhos-MS.

Att,

Tonico

Atingidos pela usina Garibaldi retomam acampamento em Santa Catarina

Publicado em sex, 06/04/2012 – 11:17


Na próxima semana, integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) retomam as atividades montando um acampamento permanente com os agricultores atingidos pela hidrelétrica de Garibaldi, em Santa Catarina. O objetivo das mobilizações é pressionar a empresa responsável pela obra para que cumpra com o acordo assinado na última reunião de negociação.

A negociação baseou-se no decreto presidencial assinado pelo ex-presidente Lula em 2010, que assegura o direito a reassentamento, reconhecimento dos arrendatários, meeiros, posseiros, filhos da terra como atingidos. Segundo Denilso Ribeiro da coordenação do MAB, o acordo, feito junto ao Ministério Público Estadual de Lages, é um dos primeiros avanços da luta. “Até esses dias atrás a empresa nem cogitava a hipótese de reassentar os atingidos, com esse acordo ela terá que comprar uma área de terra e iniciar o processo reassentando 50 familias”.

De acordo com Jessei Vezaro, morador da comunidade São Paulinho, Abdon Batista, “iremos retomar o acampamento porque queremos agilidade no processo de indenização. Estamos acampados em defesa dos nossos direitos, nos chamam de invasores, mas na verdade quem invadiu nossas terras foi essa empresa que está quase concluindo as obras e até agora não nos pagou nada”.

Nesta semana, o MAB realizou várias assembléias nas comunidades e nos municípios atingidos, no intuito de informar aos agricultores sobre o processo de negociações e esclarecer dúvidas sobre o decreto presidencial. O Movimento reuniu centenas de famílias que estão preocupadas com a situação atual, dizendo que até o momento nem foram procuradas pelo consórcio construtor da usina para acertar seus lotes que serão alagados.

Carta Aberta à Sociedade Contra a Matéria Falaciosa da Folha de São Paulo Sobre os Transgênicos

Consideramos um desrespeito, como leitorxs do jornal e como ambientalistas atuantes no setor, nos depararmos com uma matéria tão absurda e parcial como a que presenciamos na Folha de SP de quinta feira, dia 29 de abril de 2012.

Na citada matéria, o diretor mundial de uma empresa poderosa, como única fonte ouvida, afirma que as organizações que atuam no campo da agroecologia hoje já não combatem os sistemas (compostos por sementes transgênicas e fortes agrotóxicos) comercializados por ela, reconhecendo que é preciso abrir espaço de diálogo em função do cenário atual, em que água e desmatamentos são pontos problemáticos para a garantia de alimentos a todos.

Nós, integrantes da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, bem como as pessoas e as organizações que trabalham diariamente para que as grandes multinacionais como a referida empresa não destruam a possibilidade de termos um mínimo equilíbrio socioambiental no país, solicitamos o direito de sermos ouvidos e de ressaltar nosso profundo repúdio às declarações falaciosas do senhor Hugh Grant.

Por mais que tente cooptar o movimento socioambientalista, patrocinando supostos “eventos voltados para a promoção da ecologia” e gastando uma fortuna com propaganda e com advogadxs para processar quem ousa questionar seus produtos, a tal empresa não conseguirá jamais impedir que constatemos que baseia-se num sistema que visa exclusivamente seu próprio lucro e concentração de poder, impondo um ônus terrível aos trabalhadorxs, à sociedade como um todo e à própria composição biológica do planeta.

Inúmeras pesquisas e fatos demostram que, além de gerar impactos negativos e perigosos nos locais em que são usadas, as sementes transgênicas da empresa, associadas aos venenos que também produz e comercializa, possuem uma produtividade menor do que a alcançada pela produção agroecológica.

Abaixo há uma lista de fontes de informação para comprovar o que nós afirmamos acima, é somente uma pequena amostra (dentro de um conjunto incrivelmente vasto e de origens confiáveis e diversificadas) de matérias existentes sobre o assunto.
Não aos organismos geneticamente modificados, eles são desnecessários e extremamente perigosos!

Att.
Comitê Paulista da Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
www.contraosagrotoxicos.org

Via Campesina chama movimentos e organizações a realizarem atividades de resistência no dia 17 de abril

Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Adital

Para dizer não ao acúmulo de terras e à retirada destas das mãos de quem cuida e trabalha nela, a Via Campesina está fazendo um importante chamado com vistas ao 17 de abril, Dia Internacional das Lutas Campesinas. Movimentos de pescadores, organizações sociais, grupos estudantis, ambientais e que lutam por justiça social estão sendo convidados a fortalecer a resistência popular contra o acúmulo de terras e o controle corporativo dos bens naturais e agrícolas.

Marchas, projeções de vídeo, ocupações de terra, debates, exposições de arte e protestos são algumas das atividades sugeridas pela Via Campesina para chamar atenção para a problemática mundial. Via Campesina pede que todas as atividades realizadas sejam informadas (viacampesina@viacampesina.org) e ainda que os organizadores das iniciativas enviem fotos, vídeos e informações a respeito.

As ações serão realizadas no mundo todo para barrar o acúmulo de terras nas mãos de poucos e reclamar a terra retirada das mãos de campesinos/as. As manifestações pacíficas também vão pedir um reforma agrária integral que leve justiça social para as zonas rurais e o fim do controle da vida de bilhões de pessoas exercido por investidores e donos de empresas transnacionais.

A Via Campesina aponta que as ações também serão realizadas para reforçar a importância de um sistema de produção agrícola baseado na agricultura campesina e na soberania alimentar e para dizer não “aos princípios dos Investimentos Agrícolas Responsáveis (IAR), propostos pelo Banco Mundial, já que nunca pode ser responsável o fato de que investidores e empresas acumulem terras agrícolas”.

Para acompanhar as comunicações da Via Campesina basta se inscrever na lista de e-mail especial enviando mensagem para via.17aprilsuscribe@viacampesina.net. Todas as iniciativas realizadas no marco do 17 de abril serão organizadas em um mapa de ações mundiais que será publicado no site da Via Campesina.

A luta contra o acúmulo de terras não é de hoje. O próprio Dia Internacional das Lutas Campesinas remonta à data de 17 de abril de 1996, quando 19 camponeses brasileiros que lutavam por terra e justiça social foram massacrados.

A cada dia, os que vivem da terra sofrem com a aplicação de novas políticas e de um novo modelo de desenvolvimento que se baseia na expansão e expropriação de terras. O acúmulo de terrenos próprios para o cultivo é impulsionado por investidores nacionais e internacionais, com apoio de governos e autoridades locais, a fim de controlar bens naturais cobiçados pelo valor comercial.

A Via Campesina aponta como principais acumuladores de terras e recursos naturais os grandes investidores, donos de plantações, empresas madeireiras, grupos donos de hidrelétricas e mineradoras, investidores turísticos e imobiliários, autoridades portuárias e de infraestrutura, assim como instituições financeiras como bancos privados, fundos de pensões e outros fundos de investimento.

A ganância destes acumuladores de terras tem como consequências desocupações e deslocamento de populações locais campesinas e indígenas, violação de direitos humanos, aumento da pobreza e das desigualdades e prejuízos ambientais, entre outros graves problemas.